Ano passado, em um dia normal de trabalho, logo pela manhã, recebi a notícia ruim de que uma amiga estava com câncer. Isso me deixou baqueada, porque gosto muito dela e além do mais, o fato de uma doença tão próxima em uma pessoa querida, me fez questionar vários valores e também quem sou e qual meu propósito nesta vida.
É engraçado como à medida que envelhecemos, esse tipo de notícia torna-se lugar-comum e é algo assustador pra mim, embora sempre tenha a tendência a manter a serenidade.
Somos tão limitados, não é? Somos limitados quando pensamos que algo como uma doença séria nunca acontecerá conosco. Somos limitados quando deixamos a vaidade tomar conta da nossa vida, a ponto de não valorizar os pequenos gestos que o outro nos faz de bom grado. Somos limitados quando mentimos pra encobrir outras mentiras, ao ponto delas virarem uma bola de neve ou um fio tão intrincado que não sabemos como desenrolar. Somos limitados quando nos sentimos no direito de sermos superiores àqueles que nos amam, pelo simples fato de sabermos que o outro está inseguro e com um medo enorme de rejeição. Somos limitados quando não percebemos o valor do outro. Quando não acreditamos no amor, na felicidade, no bem-querer sem nada em troca... Somos seres limitados e nos julgamos dotados de grande razão.
Fiquei me questionando e ainda não cheguei a nenhuma conclusão, nem sei se quero chegar... Limito-me, também, quando quero achar solução pra tudo. Simplesmente quero viver tudo que puder. Fazer tudo que tiver ao meu alcance. Sentir a força do amor em tudo que faço. Eu sou um ser mutável, mas ainda estou presa a algumas coisas, a padrões de comportamento; a querer ser a sutileza em pessoa, sempre, a ter essa discrição inata... Às vezes penso em me libertar dessas coisas, mas quando me olho por dentro, vejo que sou um ser livre, que têm pensamentos grandiosos, mais insensatos que sensatos. Porém, não me sinto um ser fraco e sim dotado de grande força, grande abnegação... E de uma enorme gama de sentimentos controversos, todos voltados pro amor. No fim, sempre o amor. Então pra que e pra quem devo mudar isso?
Cansei de me perguntar o porquê das coisas não serem como eu quero. Sou uma mulher adulta que vive no limiar da adolescência e da maturidade. Comporto-me como adolescente quando fico esperando por algo que nunca vem e que penso me pertencer, mas não consigo alcançar. Quando fantasio demais situações e momentos. E por outro lado me comporto com maturidade, quando percebo a ridicularidade de algumas situações em que vivo e balanço a cabeça numa negativa pra mim mesma e bato na testa tentando me acordar... E sorrio secretamente da menina boba que sou. São duas vivendo dentro de mim e tentando coexistir sem grandes dramas. Sou uma mulher completa e madura quando me olho no espelho e diante das minhas marcas do tempo não me deixo abater e penso que mais que nunca sou um ótimo partido, uma ótima companhia, uma amante audaciosa, uma mulher sem falsa modéstia e cheia de vida, que depois de muito esforço conquistou e incansavelmente preserva seu espaço com amor e respeito. Que oferece aquilo que pode dar, sem medos ou amarras.
Depois de todas essas conjecturas daquilo que sou e pretendo continuar sendo, não chego a uma conclusão, acho que nunca foi isso que desejei. No dia que tiver todas, se tiver... Não terei mais motivos pra viver em nenhuma fronteira, apenas a da certeza e essa nem sempre me apetece.
Não sou doida no sentido pleno da palavra, talvez seja um pouquinho só e um tantinho utópica, mas tudo isso tem explicação na maioria das vezes ou não...
O que posso considerar mais? Talvez o fato de que respeito o território do outro e penso sempre até onde é possível ir sem agredir ou invadir o espaço, sem impor a presença e torná-la desgastada. Quero isso pro outro e quero isso pra mim. Quero todos os pontos demarcados, sem neuras, apenas com a certeza de que, a cada novo amanhecer, todo esforço ainda continua valendo a pena.
(Nil)
Sabe o que eu estou aprendendo? Que perguntas são o caminho mais longo para as respostas. Li outro dia: "Sinta, não pense!" Achei boa a dica. O que são explicações? Modos de adequar, de encaixar? Você tem todas as respostas de que precisa e está certa. Continue atenta aos amanheceres.
ResponderExcluirIêda, todos os dias, o tempo todo, tenho tentado sentir sem pensar muito no que virá depois. Acho que assim tenho conseguido com que as coisas venham como tem que ser, sem muita explicação, sem ansiedade... acho que a palavra certa seria deixar "fluir"...ihh isso já me deu uma idéia pra um texto. rs
ResponderExcluirVou continuar atenta sim, o amanhecer sempre traz algumas respostas. Obrigada pelo carinho de sempre.
Que linda gente é você, Nil. Orgulho-me por tê-la por amiga, mesmo virtual.
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