Desejava ardentemente aproveitar a vida e pensando assim resolveu abrir portas e janelas e desarmar-se. Sentia-se preparada para seguir e provar um pouquinho de coisas deixadas para trás, mas que precisavam ser resgatadas e apreciadas. Tirou da gaveta trapos e quinquilharias. O mofo que tomava conta do ambiente se dissipou, precisava se renovar, inteira.
E foi assim, um dia acordou e percebeu que existia mais dela em toda volta do que ousara pensar ser possível... ela preenchia tudo. Os espaços, antes vazios, agora eram povoados por sua presença. Voltara a se amar e era tão boa a sensação que se permitia mais, resolvera baixar a guarda e se deixar amar por outra pessoa também. ela se amava sim, mas não se bastava, claro. Não ia cair na armadilha de que era auto-suficiente. Não queria vender esse peixe, mesmo porque, sabia que precisava compartilhar, somar e então repartir pra ser feliz.
E foi nessa certeza que resolveu anunciar aos quatro cantos, com letras garrafais e em neon seu novo estado: Mulher Inteligente e Solteira procura e se encontrou inteira, com os olhos cheios de futuro, com as mãos prontas pra doar e o coração aberto pra amar.
(Um poema de 2010)

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