Um dia a menina cheia de sonhos, que acreditava em príncipes, casou. Viveu feliz, teve filhos e pensou que a vida era perfeita. Mas não era, ela descobriu depois. Foi traída, sofreu, seu mundo caiu e algo morreu dentro dela. Ela perdoou, seguiu em frente no seu mundinho sem grandes novidades. Certa vez ela olhou pra fora, pela janela ela viu um jardim verde, muito verde e quis ter aquilo. Então seu mundinho se tornou frívolo, sem sabor e ela voltou a sonhar.
Ela ousou sair, ver o jardim de perto... Colocou as pontas dos pés na soleira da porta e parou. Ficou pensativa: “Será que devo? Afinal esse não é meu mundo”. Olhou pra trás e viu que seu mundo não tinha as cores que queria. Criou coragem, seguiu em frente, colocou braços e o corpo todo pra fora, sentiu o vento fresco no rosto, sorriu... Foi conhecer outro mundo, aquele jardim verde e convidativo.
Com o novo mundo ela sentiu prazeres infindos. Sentia-se ela mesma, pura e simples. No final de tudo tinha que voltar pro seu mundo, pra mesma rotina. Só que agora ela tinha um segredo, um jardim verde e florido, por onde podia correr, sentir prazer e ser uma pessoa autêntica, cheia de alegria. Então ela ficava entre esses dois mundos. Só que se apaixonou pelo jardim e de repente voltar ficava cada vez mais pesado, mais difícil. Ela tinha que fazer uma opção, mas envolveria questões maiores, poderia viver entre os dois mundos até o fim... Mas algo aconteceu e seu jardim fechou, acabou a alegria, o prazer e a dor voltaram com força! Ela se fechou na sua rotina, quis resgatar a antiga alegria que sentia ali, mas por mais que tentasse não conseguia, pois aquele jardim tão perfeito não saía das suas lembranças, dos seus mais loucos sonhos... E a vida continuava.
Aquele jardim permaneceu, ela já não vislumbrava mais seus recantos, mas ele estava lá fora, ela sabia. Um dia, quis o destino, por uma força poderosa qualquer, que seu segredo fosse descoberto e ela não conseguiu negar, assumiu o erro e perdeu uma parte de seu mundo menos colorido.
Descobriu que algumas coisas permanecem pra sempre e nessa descoberta saiu mundo afora, agora em outra situação, livre das amarras que a prendiam. Agora podia conhecer outros jardins e não sentir culpa. Desse primeiro passo outras novas descobertas surgiram e uma delas foi que nem todos os jardins eram iguais, tão verde quanto aquele dos seus sonhos. Ela tentava recriar novas flores, novas cores, novos momentos de alegria, mas era tão difícil e o pensamento sempre caía no seu oásis. Estava feliz sim, apesar de tudo. Havia amadurecido, resgatado sua autoconfiança, estava bem e as lembranças se tornaram doces, afáveis. Ela jurava pra si mesma que um jardim não a faria sucumbir e resolveu se embrenhar nele de novo, pra saber se algo havia mudado...
Porém ao se deparar com uma ponta de um riacho, seu som, seu frescor, apenas um pequeno pedaço, nem chegou a entrar no jardim todo; o sentimento adormecido voltou e seu coração começou a bater descompassado e lembranças dos momentos vividos entorpeceram seus sentidos. Entrou num limiar difícil de voltar dessa vez. Ela soube que aquele lugar foi o que sempre quis... A sua ponta de paraíso estava ali, verde e florido... Só que com uma pequena proibição: a sua entrada seria limitada. Sua reação diante disso foi aceitar, porque sonhava que ainda poderia correr por ali sorrindo, feliz como antes.
A promessa de paraíso tornava seus dias mais alegres, o alimento que vinha dele, pequenas notas e cheiros, animava algo dentro dela.
Hoje ela ainda sonha com seu jardim, porém as limitações tornam seus momentos ali mais difíceis de serem alcançados, ela pondera se ainda vale a pena insistir na sua entrada e permanência, mesmo diante das promessas de tantas delícias e prazeres.
Seu mundo está ali, ela sabe... Mas lutar contra o tempo numa guerra injusta faz com que ela pondere até quando pode continuar de pé, sonhando e ansiando por momentos já vividos e revividos em seus sonhos. O senso do real atormenta seus dias e ela quer se perder no seu jardim, fazer alguma loucura pra entrar logo e nunca mais sair dali... Porém pensa até que ponto vale a pena continuar sonhando ou se deve decidir conhecer outros jardins, que de repente até podem esconder doces e instigantes paisagens. Ela precisa ponderar ainda, escolher e já está tão cansada de tentar entrar e sentir a porta bater na sua cara.
O quanto um jardim é importante até se tomar a decisão de voltar atrás? De fugir correndo e descobrir novos horizontes? Ela ainda pensa, é difícil fugir dali, mas está disposta a ter outras chances, mesmo que seu mundo naquele jardim aconteça um dia.
Ela pondera, mas quer viver, precisa viver. Ela sabe que merece isso.
Quando o jardim vai abrir suas portas de vez e deixar um mundo novo entrar no seu sangue? Vislumbrar a paisagem da soleira já não satisfaz mais sua sensível personalidade, ficar olhando de longe o que ela tanto quer em suas mãos atormenta seus dias e ela pondera, continua ponderando... Até quando???
eu deixaria esse jardim no campo das lembranças e tentaria encontrar outro melhor... pode ser dificil o caminho ate outro jardim, mas melhor estar a procura de outro, do q viver em funçao de um q nao se abre pra ti...
ResponderExcluirquando o jardim realmente quer ele nos acolhe, nao bate com aporta na nossa cara...
A solução pode ser arrumar um jardineiro ou paisagista pra modificar o seu jardim! rs...
ResponderExcluirJuro q me emocionei, viu!